Risco fiscal ofusca Copom e dólar fecha em alta; Bolsa cai pressionada por Vale

Por outro lado, investidores se animaram (muito) com os resultados da Petrobras e anúncio de distribuição de R$ 31,6 bilhões em dividendos

Foto: CNN

Tamires Vitorio e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O alívio pós-Copom durou pouco, e o dólar fechou em alta nesta quinta-feira (5), puxado por forte estresse no mercado de juros futuros em decorrência da escalada de tensões fiscais e políticas no país. 

O dólar à vista subiu 0,53%, para R$ 5,2163 na venda. O real saiu do melhor desempenho global entre as principais moedas na sessão para figurar entre os piores.

Na B3, o Ibovespa, que subia 1,4% mais cedo, puxado por uma disparada nas ações da Petrobras (PETR3, PETR4), virou para queda nas últimas horas do pregão e ficou no vermelho até o fechamento. O índice caiu 0,14%, para 121.632 pontos.

As ações ordinárias da estatal subiram 9,63% depois que a companhia apresentou resultados surpreendentes no segundo trimestre. A empresa teve lucro líquido no período de R$ 42,85 bilhões, superando com folga a estimativa de analistas compilada pela Refinitiv, que era de R$ 30,7 bilhões. 

A companhia também aprovou a antecipação da distribuição de R$ 31,6 bilhões em dividendos, remunerando R$ 2,42 por ação. 

Na outra ponta, os papéis da Vale (VALE3) caíram 3,06%, em sessão negativa para o setor de mineração e siderurgia como um todo no Ibovespa, com CSN (CSNA3) recuando 3,96%. Os futuros do minério de ferro na China terminaram em queda de quase 5% nesta sessão, na mínima em quase quatro meses.

Ontem, o BC elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual na quarta-feira, a 5,25% ao ano, indicando que deve repetir a dose em setembro diante das pressões inflacionárias. 

A equipe da XP Investimentos destacou que a sinalização de aceleração no ritmo de novas altas para a taxa Selic é ligeiramente negativa para a bolsa, uma vez que o custo de capital das empresas deve subir mais depressa que o esperado. No entanto, destacou que o mercado tende a reagir nesta sessão aos resultados de Petrobras.

Ainda no radar doméstico estão desdobramentos do ambiente político do país e riscos fiscais, em meio à tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) e planos do governo de parcelar o pagamento de precatórios.

Lá fora 

Os índices Nasdaq e S&P 500 fecharam esta quinta-feira em máximas recordes, após dados mostrarem que os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos voltaram a cair na última semana, enquanto o mercado aguarda o relatório de empregos do país, que será divulgado na sexta-feira.

O Dow Jones fechou em alta de 0,78%, a 35.064 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,6%, a 4.429 pontos, e o Nasdaq avançou 0,78%, a 14.895 pontos

*Com Reuters

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